Virginia.

Os dias se arrastavam naquele verão. Havia chovido mas o calor impertinava.
Virginia chegará há dias na sua cidade natal, ao seu passado que ainda insistia em se atualizar a cada encontro, a cada esquina e a cada saudade. De suas batalhas subjetivas, a que recém chegara, cumprida, com êxitos, não teve muito tempo pra entender e comemorar. Logo começaram os perceptíveis desequilíbrios de sua tia nos dias que antecediam o natal. Parecia que estava tudo fora de lugar, as pessoas, as coisas, os corações. Ela, com sua perspicácia rotineira de em instantes fazer leituras de situações, intenções e pensamentos, rapidamente sentiu. Desde ai, conscientizou-se mais uma vez pelos duros golpes do destino que lhe concedeu sanidade demais, sensibilidade demais, inteligência demais também... da realidade que, horas parecia sem fim, numa infundada lógica dos momentos, do caos, e outrora como num segundo de reajuste do planeta e de seus eixos, as coisas realmente se encaixavam, as pessoas sorriam e o caminho se abria.
A simplicidade e complexidade se misturavam. Desejava um banho de cachoeira, de mar. Num desses vai e vem até a cidade mais próxima telefonara pro ex grande amor da vida. Queria um amigo, um amor e quem sabe o aconchego de almas. Encontraram-se, ela sempre sorridente, com aquela aura de mistério e serenidade, de paixão e de loucuras. Ele com o mesmo olhar de amor que transcende qualquer tentativa de esquiva. Algumas palavras, duas cervejas, um vinho, um cais na beira do lago. Ali se amaram como sempre, como há tempos, como nunca. Aquele momento sabiam que era e seria único, como um suspiro entre o passado e o futuro, o mais puro presente, cortante e belo. A noite, os olhos, poucas palavras, mais um vinho.  Seus cheiros se misturavam, os corpos como num balé mais perfeito em sintonia. As almas se alimentavam ali, nenhuma promessa, algumas perguntas, muito sentimento genuíno.  O amor na sua mais pura essência. Assim, se consumiram, se amaram mais uma vez.

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